Paz: por quê?
Como druidas, nos empenhamos em criar e manter relacionamentos profundos, com a terra, com nossos ancestrais e uns com os outros. Na tradição, aprendemos como ouvir, como respirar o toque do outro. A isso chamamos inspiração, a awen.
Oferenda: corrente de margaridas - © Jamus Wood
Assim, estamos profundamente envolvidos com as experiências de conflito e comunicação. Lançando-nos através das barreiras do eu, da distinção e do isolamento, chegamos ao êxtase da fusão com o outro. Mas o druidismo não é apenas êxtase e união; ele também celebra a diversidade, a diferença. Assim, o que acontece quando essa diferença aumenta a ponto de causar o colapso da comunicação? O que acontece quando deixamos de explorar a diferença com amor, e em lugar disso nos tornamos assustados, raivosos ou defensivos de nossa própria identidade?
É por isso que os druidas se preocupam com as questões relativas à paz. Se pudermos definir a paz como algo além da ausência de conflito, então o que significa estar em paz consigo mesmo, estar em paz em nossos relacionamentos pessoais e, conseqüentemente, estar em paz num sentido global?
Paz: como?
É aqui que as buscas introspectivas por entendimento, êxtase e comunhão se chocam com o mundo exterior. Os druidas não são monges ou eremitas, isolados em uma união extática com o divino. Buscamos viver de forma ativa em um mundo cheio de contradições, com conflitos e desafios. Como druidas, podemos nos dirigir às rachaduras da discussão e da agressão e buscar, se não curar a divisão, pelo menos trazer entendimento à situação. Nós aprendemos de que forma buscar o contato com o outro, permanecendo com os pés plantados firmemente na terra de modo a suportar uma experiência, por mais incômoda e perturbadora que ela possa ser. Nós também aprendemos como deixar ir, como permitir que algo morra, seja um velho ressentimento, culpa, ou uma raiva antiga.
Esses são os dons do druidismo. Podemos procurar praticar a paz de forma pessoal e política. Outras tradições possuem modelos de guerreiros virtuosos, bem como de solução pacífica. Pense em Gandhi, com seu exemplo de não-violência ativa. Pense em Jesus com sua atitude passiva de dar a outra face. A nossa tradição é dinâmica e enraizada firmemente no aqui e no agora - o que significa ser um guerreiro na tradição druídica, o que significa para um druida a ação de pacificar?
Paz: o nosso papel
Essas páginas sobre a paz oferecem tanto sugestões práticas de ação e apoio para os papéis de pacificador ou guerreiro, quanto um fórum para discussão mais aprofundada sobre esses papéis. Nós vivemos em uma época de mudanças e desafios, e a tradição druídica tem muito a oferecer para um mundo em crise.
Cathi Davis
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Os pontos de vista refletidos nestas páginas representam as vozes de indivíduos da comunidade druídica e daqueles que estão em contato com ela. Eles não representam todo o druidismo, nem representam necessariamente a visão da Druid Network ou de seus membros. Há uma ampla gama de opiniões dentro do druidismo, e enquanto alguns pontos de vista expressados podem ser ricas fontes de inspiração, alguns desses pontos de vista podem ofender outras pessoas. Oferecemos estes artigos como representação da awen de diversos indivíduos que estudam, ensinam e praticam o druidismo. Se desejar ter a sua própria awen representada, sinta-se convidado a contribuir com essas páginas.