por Graham Braveheart
Uma caminhada no parque, por uma área rural ou selvagem, é uma forma conhecida usada para se "conectar ou entrar em comunhão com a natureza", e nas circunstâncias certas, os benefícios para o bem-estar são inegáveis.
Entretanto, embora seja um começo útil, esse nível de atividade é provavelmente insuficiente quando se deseja desenvolver uma empatia ou uma conexão significativa com a natureza. Mas, como sempre, o que importa é a qualidade, e não a quantidade.
Sejamos honestos: para a grande maioria de nós, o mundo natural é um ambiente estranho - nós simplesmente não entendemos onde nos encaixamos nisso tudo, e sequer temos certeza de que deveríamos nos encaixar. Não sou o único a acreditar que esse é o principal motivo para nos termos desconectado tanto da natureza e, como conseqüência, enfrentarmos hoje tantos problemas ambientais.
Talvez nós estejamos apenas precisando de ajuda. Mas quando fazemos uma caminhada guiada pela natureza, não queremos nos sentir ainda mais alienados porque não conseguimos identificar as árvores, as plantas ou os pássaros que vemos. Queremos que ALGUÉM nos faça sentir bem-vindos, vivos e parte do que nos rodeia. Certamente, precisamos de atividades que nos auxiliem a sentir e experimentar a natureza de fato, em vez de simplesmente identificá-la, observá-la e registrá-la como faziam os naturalistas vitorianos.
A experiência deve ser o mais importante, pois sabemos que é através da experiência que podemos, no mais das vezes, desfrutar de um relacionamento duradouro e gratificante com as coisas que despertam nossa curiosidade. O excesso de programas de televisão baseados na vida selvagem disponíveis hoje provam que a natureza é uma tremenda fonte de fascínio - especialmente a uma distância segura. Mesmo assim, vemos a natureza, mas temos pouca experiência direta com ela.
Dize-me e esquecerei
Mostra-me e poderei lembrar;
Envolve-me e entenderei.
Estou convencido de que a consciência e as convicções enraizadas na experiência pessoal levam a mudanças comportamentais duradouras nas pessoas. Nesse contexto, isso significa que se pudermos permitir que eles experimentem o milagre e o valor da natureza, eles estarão mais motivados a adaptar seus valores e responsabilidades no sentido de cuidar do planeta; do contrário, o desespero pode se instalar e paralisar sua capacidade de agir.
A evidência que fundamenta essa convicção vem de muitos anos de trabalho como ambientalista na conscientização e prestação de informações sobre questões ambientais ao público em geral.
Apesar da abundância de conscientização e informações, além de alguns desastres ambientais inevitáveis em todo mundo, o progresso em direção ao Desenvolvimento Sustentável tem sido dolorosamente vagaroso; basta observar a revogação pelo governo dos EUA de muitas medidas ambientais conquistadas com dificuldade como exemplo expressivo, aliada ao deprimente fracasso do World Summit em Joanesburgo em 2002.
O desenvolvimento verdadeiramente sustentável não acontece costurando algumas iniciativas ambientais aqui e ali - ele apenas ocorrerá se estivermos suficientemente motivados e comprometidos a fazer com que ele aconteça.
Onde está essa motivação? Quem tem o comprometimento?
A resposta é: todos nós temos essas duas coisas.
Entretanto, elas estão no fundo de cada um de nós, e sempre estiveram.
De acordo com o sociobiologista ganhador do Prêmio Pulitzer Edward O Wilson, PhD, da Universidade de Harvard, as pessoas têm uma necessidade biológica inerente de estar em contato com o ambiente externo. Ele chama isso de "biofilia", e acredita que a natureza pode ter a chave de nossa satisfação estética, intelectual, cognitiva e até espiritual.
Eu sei que ele está certo - levei muitas pessoas até a natureza, e as vi enchendo-se de vida; essa experiência as transforma, assim como transforma o modo como elas enxergam o mundo. É isso que precisamos desenvolver.
Alguns de nós estão desenvolvendo atividades e terapias que se baseiam nessa experiência. Sabemos que através da terapia da natureza, ou Ecoterapia, podemos aproveitar essa "biofilia" e conectar as pessoas à natureza. Uma vez conectados através dessas atividades sensoriais e experienciais, os participantes fortalecem sua convicção em relação às questões ambientais, e levam mais a sério sua responsabilidade de viver de forma leve sobre a terra.
É evidente que a comunidade druídica tem um papel vital nisso.
Todos lemos os livros de história, e sabemos que, no passado, eram os druidas que faziam a ligação entre a natureza e as pessoas - tanto no nível visível quanto invisível.
Eram os druidas que eram consultados sobre a natureza e a sabedoria da terra e eram quase venerados - e até temidos por essa habilidade.
Hoje, é claro, tudo isso mudou. A maioria das pessoas não leva o druidismo a sério, em parte por ignorância, mas principalmente porque eles não conseguem entender a utilidade da contribuição que podemos fazer à sociedade.
Certamente, se nossa missão é atrair grandes números de pessoas para se tornarem druidas, inevitavelmente falharemos. Entretanto, por que não podemos redefinir o nosso papel? Por que não podemos olhar para o futuro?
As pessoas não se sentem atraídas pelo druidismo ou mesmo por outras tradições baseadas na terra e, em nossos corações, nós sabemos por quê. Diferentemente, a beleza da Ecoterapia está no fato de que ela não possui nenhuma imagem, nenhum estereótipo, nenhum bloqueio. Ela soa moderna, científica e respeitável. Afinal, é apenas uma palavra.
Agora, aqui está o problema. O que a Ecoterapia tem a ver com o druidismo?
A Ecoterapia É o druidismo de hoje.
Os druidas são os melhores ecoterapeutas porque nossos corações e mentes já estão no ajuste certo e as técnicas e atividades da Ecoterapia são extremamente simples de aprender para qualquer um de nós. Eu imagino alguns druidas tornando-se ecoterapeutas e passando isso adiante em comunidades em todo Reino Unido. No futuro, haverá cursos, faculdade e centros de Ecoterapia, provavelmente dirigidos por druidas.
Como já foi dito, se um druida não puder ensinar às pessoas sobre os ciclos, os ritmos e a pulsação da natureza, ninguém poderá. Está na hora de sairmos das sombras e olharmos para o futuro.
Será um papel totalmente novo para os druidas em nossas comunidades?
Não, não há nada novo neste mundo. .
Graham Braveheart
grahamgame [at] aol [dot] com